Hospitais negam ter acordo fechado com Novo Nordisk para fornecer Wegovy pelo SUS
Semaglutida é usada no tratamento da obesidade Adobe Stock Os dois hospitais citados pela farmacêutica Novo Nordisk como parceiros em um projeto para fornecer...
Semaglutida é usada no tratamento da obesidade Adobe Stock Os dois hospitais citados pela farmacêutica Novo Nordisk como parceiros em um projeto para fornecer gratuitamente o medicamento Wegovy pelo Sistema Único de Saúde (SUS) negam que exista qualquer acordo formal com a empresa para a iniciativa. A Novo Nordisk disse que há uma negociação. (Veja o que a empresa diz abaixo.) Na última semana, a companhia divulgou que estava lançando um programa piloto no Brasil para disponibilizar as canetas do medicamento, usado no tratamento da obesidade, a pacientes atendidos pelo SUS. De acordo com a empresa, o programa anunciado vai produzir dados e evidências sobre o impacto do uso da semaglutida injetável no tratamento da obesidade grave. A proposta busca contribuir com evidências clínicas, econômicas e sociais que possam apoiar futuras decisões em saúde pública. A proposta era a implantação de um programa de acesso equitativo, que facilitaria o acesso à semaglutida no sistema público. Segundo a proposta apresentada pela empresa, o projeto teria duração de dois anos e seria feito nas instituições Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS), e no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), no Rio de Janeiro, além de uma terceira unidade que ainda não havia sido definida. Atualmente, as canetas não estão disponíveis no SUS. Em 2024, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recomendou não incorporar à rede pública os medicamentos à base de semaglutida e liraglutida, substâncias usadas em canetas injetáveis indicadas para perda de peso. O alto custo foi apontado como a principal barreira para a incorporação dessas terapias ao sistema público. Alguns centros, como o IEDE, fazem uso desses medicamentos, mas em casos específicos de pacientes — não sendo uma medicação disponível a qualquer pessoa no sistema. No entanto, os dois hospitais citados pela empresa negaram que exista parceria com a farmacêutica e disseram que as canetas só podem ser adquiridas por meio de licitação, e não por meio de parceria. O IEDE informou que já utiliza canetas injetáveis no tratamento da obesidade, mas explicou que há atualmente uma licitação aberta para a compra de medicamentos — processo que ainda não foi concluído. “A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) informa que há um processo licitatório em andamento pela Fundação Saúde, gestora do IEDE, para aquisição da semaglutida, mais potente que a liraglutida e com mais comodidade posológica”, explicou em nota. Já o Grupo Hospitalar Conceição afirmou que não possui qualquer programa formalizado com a Novo Nordisk sobre semaglutida, conforme divulgado pela empresa. O que diz a Novo Nordisk Ao g1, a empresa disse que tem um programa de acesso equitativo, mas que a aquisição das canetas depende de processo licitatório. “Não há previsão de doação de medicamentos; qualquer aquisição por entes públicos seguirá os ritos e legislações vigentes de compras governamentais, cabendo à Novo Nordisk participar dos certames com propostas viáveis, alinhadas aos objetivos de acesso equitativo”, explicou. Sobre o IEDE, a empresa enviou ao g1 um comprovante de um termo de cooperação, mas relacionado à logística reversa para embalagens de canetas. A empresa diz que o novo programa é uma evolução dessa parceria. Ao telefone, confirmou que não há nada formalizado, mas tratativas. “Em 2024, a Novo Nordisk firmou acordo de cooperação técnica com a Fundação Saúde do Estado do Rio de Janeiro para viabilizar a parceria com o IEDE no âmbito do programa Reciclaneta, com foco em economia circular e descarte correto de dispositivos injetáveis. A proposta de uma nova parceria no âmbito do Programa Global Acesso Equitativo é uma evolução desse relacionamento técnico e ensejará formalizações complementares com a Fundação Saúde do Estado do Rio de Janeiro”, disse. Veja a nota na íntegra: A Novo Nordisk, líder global em saúde, gostaria de esclarecer aspectos importantes sobre o histórico de parceria com o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE) e a Fundação Saúde do Estado do Rio de Janeiro, e o atual estágio de tratativas para potencial novo escopo de colaboração voltado à equidade de acesso à saúde, além de maiores detalhes sobre seu programa global. Atualização de Protocolo Interno: A linha de cuidado para obesidade grave no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE) está em fase de atualização para incluir a semaglutida como opção terapêutica. Este atendimento é restrito a uma parcela específica de pacientes já acompanhados pela instituição, não havendo neste momento a previsão de oferta do medicamento para novos pacientes fora das linhas de cuidado existentes no centro de referência. O IEDE é referência no cuidado às pessoas com obesida-de e a atualização dos protocolos internos não deriva de potenciais parcerias técnicas com a Novo Nordisk. Natureza da Parceria: A experiência consolidada do IEDE no cuidado integral e multidisciplinar às pessoas com obesidade grave, ensejou a abertura de tratativas entre a Novo Nordisk e a referida instituição para implementar um novo escopo de parceria, através de um piloto do programa global de Acesso Equitativo. O escopo prevê capacitação técnica e geração de evidências de políticas públicas e avaliação de impacto socioeconômico para além dos benefícios à saúde da população atendida em linhas de cuidado integral para tratamento da obesidade. Não há previsão de doação de medicamentos; qualquer aquisição por entes públicos seguirá os ritos e legislações vigentes de compras governamentais, cabendo à Novo Nordisk participar dos certames com propostas viáveis, alinhadas aos objetivos de acesso equitativo. Histórico de Cooperação: Em 2024 a Novo Nordisk firmou acordo de cooperação técnica com a Fundação Saúde do Estado do Rio de Janeiro para viabilizar a parceria com o IEDE no âmbito do programa Reciclaneta, com foco em economia circular e descarte correto de dis-positivos injetáveis. A proposta de uma nova parceria no âmbito do Programa Global Acesso Equitativo é uma evolução desse relacionamento técnico, e ensejará formalizações complementares com a Fundação Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Expansão Nacional: O programa de Acesso Equitativo, anunciado em 4 de março de 2026, selecionará ao menos três localidades no Brasil para gerar evidências que auxiliem o SUS na criação de estratégias sustentáveis e multidisciplinares para o tratamento da obesidade, em linha com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). A Novo Nordisk reitera seu compromisso com a transparência e com o fortalecimento da sustentabilidade dos sistemas de saúde, visando ampliar o acesso a tecnologias inovadoras de forma responsável.